Problemas de Saúde Comuns em Bluetick Coonhound: Cuidados Essenciais

Um guia completo, baseado em evidências veterinárias, para quem ama e cuida desse cão de caça brasileiro‑americano.

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1. Introdução

O Bluetick Coonhound, embora ainda pouco conhecido no Brasil, vem conquistando corações de tutores que apreciam sua energia, inteligência e o faro incomparável. Originário dos Estados Unidos, esse cão foi criado para rastrear e caçar guaxinins (coons) em terrenos acidentados, o que lhe conferiu características físicas e comportamentais bem específicas. Como qualquer raça, o Bluetick tem predisposições genéticas que podem se manifestar em problemas de saúde ao longo da vida.

Entender quais são esses problemas, como preveni‑los e quais cuidados diários são essenciais é fundamental para garantir que seu companheiro tenha qualidade de vida, longe de sofrimentos evitáveis. Neste artigo, vamos abordar de forma detalhada as principais doenças que afetam o Bluetick Coonhound, apresentar orientações de nutrição, higiene, atividade física, treinamento e, claro, oferecer dicas práticas que todo tutor pode colocar em prática imediatamente.

A proposta é ser um ponto de apoio para quem já tem um Bluetick em casa ou está pensando em adotar um, ajudando a criar um vínculo ainda mais forte e saudável entre homem e cão. Vamos juntos descobrir como proporcionar ao seu amigo de quatro patas uma vida longa, feliz e cheia de aventuras!

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2. Características Principais

O Bluetick Coonhound se destaca por um conjunto de traços que o tornam único:

  • Aparência: Pelagem curta, densa e de coloração “blue tick” – uma mistura de azul e marrom com manchas brancas. Os olhos são escuros e expressivos, e as orelhas longas e caídas ajudam a captar sons durante a caça.
  • Tamanho: Machos costumam medir entre 55 e 63 cm na cernelha e pesar de 25 a 36 kg; as fêmeas são levemente menores.
  • Temperamento: É um cão extremamente leal, sociável e cheio de energia. Possui um faro apurado, instinto de perseguição forte e grande resistência física. Gosta de trabalhar em equipe, sendo excelente para atividades ao ar livre e esportes caninos.
  • Inteligência: Altamente inteligente, aprende rapidamente comandos e truques, mas pode ser teimoso se não houver estímulo mental adequado.
  • Expectativa de vida: Em média, 12 a 14 anos, quando bem cuidado.
Essas características influenciam diretamente as necessidades de saúde do Bluetick. Por exemplo, seu instinto de caça pode levá‑lo a correr riscos maiores de lesões ortopédicas, enquanto a pelagem curta exige atenção à higiene da pele para prevenir infecções. Conhecer bem o perfil da raça é o primeiro passo para oferecer os cuidados corretos.

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3. Cuidados Essenciais

3.1. Visitas regulares ao veterinário

  • Check‑ups semestrais: Avaliação completa (peso, exame físico, avaliação ortopédica e dentária).
  • Vacinação: Atualizar o calendário (cinomose, parvovirose, leptospirose, raiva, entre outras).
  • Exames de sangue anuais: Detectam alterações metabólicas precocemente, principalmente em raças predispostas a disfunções hepáticas.

3.2. Higiene e cuidados com a pele

  • Banho: A cada 6‑8 semanas ou quando necessário; usar shampoo neutro para evitar irritação.
  • Escovação: Mesmo com pelagem curta, escove 1‑2 vezes por semana para remover pelos soltos e estimular a circulação.
  • Orelhas: Limpar semanalmente com solução isotônica, pois o formato pendente favorece o acúmulo de cera e infecções.

3.3. Controle de ectoparasitas

  • Pulgas e carrapatos: Produtos tópicos ou orais de ação prolongada são recomendados, especialmente porque o Bluetick costuma frequentar áreas rurais e matas.

3.4. Exercício físico adequado

  • Rotina diária: No mínimo 1 h de atividade moderada a intensa (corridas, trilhas, brincadeiras).
  • Variedade: Alternar entre caminhadas, natação e jogos de faro para evitar sobrecarga em articulações específicas.

3.5. Saúde mental

  • Enriquecimento ambiental: Brinquedos interativos, jogos de busca e treinamento de obediência mantêm o cérebro ativo e reduzem comportamentos indesejados.
Essas práticas formam a base de um plano de cuidados que minimiza a incidência de doenças e melhora a qualidade de vida do seu Bluetick.

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4. Alimentação e Nutrição

4.1. Necessidades calóricas

Um Bluetick adulto ativo necessita de aproximadamente 30‑35 kcal/kg de peso corporal por dia. Filhotes em fase de crescimento podem precisar de até 50 kcal/kg, distribuídas em três a quatro refeições.

4.2. Macronutrientes

  • Proteína: 25‑30 % da dieta, preferencialmente de origem animal (frango, peixe, carne bovina). Essencial para manutenção muscular e recuperação pós‑exercício.
  • Gordura: 12‑15 % da dieta, fornecendo energia de alta densidade e ácidos graxos ômega‑3 (benefícios anti‑inflamatórios para articulações).
  • Carboidrato: 30‑40 % (arroz integral, batata‑doce, aveia). Fornece energia de liberação gradual, evitando picos de glicemia.

4.3. Micronutrientes e suplementos

  • Cálcio e fósforo: Em proporção equilibrada (1,2 : 1) para suporte ósseo, sobretudo em filhotes.
  • Glucosamina + condroitina: Indicado em raças propensas a displasia coxofemoral e artrite, ajuda a preservar a cartilagem.
  • Óleo de peixe: Fonte de DHA/EPA, útil para saúde da pele, pelagem e função cognitiva.

4.4. Alimentação baseada em necessidades individuais

  • Peso ideal: Monitorar a condição corporal (escala de 1 a 9). Ajustar a ração ou quantidade de alimento caso haja ganho ou perda de peso.
  • Problemas digestivos: Em casos de sensibilidade, escolher dietas com ingredientes limitados ou com fibras prebióticas (inulina).

4.5. Evitar alimentos tóxicos

Chocolate, cebola, alho, uvas, passas, álcool e adoçantes artificiais (xilitol) são proibidos. Além disso, ossos cozidos podem causar perfurações intestinais.

Uma alimentação equilibrada, ajustada ao nível de atividade e à fase da vida, é um dos pilares mais importantes para prevenir doenças crônicas como obesidade, diabetes e problemas ortopédicos.

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5. Saúde e Prevenção

5.1. Doenças ortopédicas

  • Displasia coxofemoral: Embora menos comum que em raças de grande porte, pode ocorrer. A prevenção inclui controle de peso, suplementação com glucosamina e evitar exercícios de alto impacto em filhotes ainda em desenvolvimento ósseo.
  • Artrite: Mais frequente em cães idosos. O uso de anti‑inflamatórios não esteroides (AINEs) sob prescrição veterinária e manutenção de uma rotina de exercícios leves ajudam a controlar a dor.

5.2. Problemas dermatológicos

  • Dermatite alérgica: Pode ser causada por ácaros, pulgas ou alergias alimentares. Sintomas incluem coceira, vermelhidão e perda de pelo. O diagnóstico exige teste de alergia ou dieta de eliminação.
  • Infecções fúngicas (tinha): Devido à pelagem curta e ao estilo de vida ao ar livre, o Bluetick pode ser suscetível. Manter a pele seca e limpa reduz risco.

5.3. Doenças cardíacas

  • Miocardiopatia dilatada: Raramente relatada, mas importante observar sinais como tosse, cansaço excessivo e aumento do abdômen. O diagnóstico precoce por ecocardiograma pode salvar vidas.

5.4. Distúrbios oculares

  • Catarata e atrofia progressiva da retina (PRA): Embora menos frequentes, exames oftalmológicos anuais ajudam a detectar alterações antes que comprometam a visão.

5.5. Saúde bucal

  • Placa e tártaro: O Bluetick tem dentes fortes, mas a falta de escovação regular pode levar a periodontite, que afeta a saúde geral. Escovar os dentes 2‑3 vezes por semana com pasta específica para cães previne a doença.

5.6. Estratégias de prevenção

Ação
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Vacinação
Imunização contra doenças graves
Vermifugação
Controle de parasitas internos
Exames de sangue
Detecta alterações hepáticas, renais e metabólicas
Avaliação ortopédica
Identifica problemas articulares precocemente
Escovação dental
Previne periodontite e perda dentária
A combinação de monitoramento regular, nutrição adequada e exercícios controlados forma a base da prevenção, reduzindo a necessidade de intervenções médicas caras e invasivas.

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6. Treinamento e Comportamento

6.1. Socialização precoce

Entre 8 e 16 semanas de idade, exponha o filhote a diferentes ambientes, pessoas, sons e outros animais. Essa fase é crucial para evitar medos excessivos e comportamentos agressivos no futuro.

6.2. Obediência básica

  • Comandos essenciais: “Sentar”, “Deitar”, “Ficar”, “Vir aqui” e “Largar”.
  • Método positivo: Recompensas com petiscos de alta palatabilidade (ex.: tiras de frango desidratado) e elogios verbais. Evite punições físicas que podem gerar ansiedade.

6.3. Controle do faro e da perseguição

Devido ao instinto de caça, o Bluetick pode seguir cheiros por longas distâncias, o que pode ser perigoso em áreas urbanas. Treine o comando “Volta” e utilize coleiras de segurança (não de estrangulamento) quando estiver em locais abertos.

6.4. Exercício mental

  • Jogos de busca: Esconda brinquedos ou petiscos e peça para o cão localizar.
  • Puzzle toys: Quebra‑cabeças que liberam comida ao serem manipulados, estimulando o raciocínio.

6.5. Problemas comportamentais comuns

Problema
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Latido excessivo
Aumentar estímulos físicos e mentais; treinamento de “silêncio”
Mastigação destrutiva
Oferecer brinquedos resistentes; sessões de treinamento de “deixar”
Hiperatividade
Dividir o exercício em duas sessões diárias; natação ou corrida controlada
Medo de barulhos
Exposição gradual a sons (ex.: gravações de trovões) com reforço positivo
Manter uma rotina consistente de treinamento, combinada com atividades físicas adequadas, ajuda a canalizar a energia do Bluetick de maneira saudável, fortalecendo o vínculo entre tutor e cão.

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7. Dicas Práticas para Tutores

  • Calendário de cuidados: Crie uma planilha (ou use aplicativos como “DogLog”) para registrar vacinas, vermifugação, exames e datas de banho.
  • Kit de primeiros socorros: Tenha à mão antisséptico, gaze estéril, solução fisiológica, curativo adesivo e um termômetro. Aprenda a fazer curativos simples e a controlar hemorragias leves.
  • Hidratação durante atividades: Leve sempre água fresca em garrafas portáteis; cães que correm em climas quentes podem desenvolver insolação rapidamente.
  • Proteção contra calor: Evite exercícios intensos entre 10 h e 16 h nos dias quentes; ofereça sombra e pisos frios (por exemplo, tapetes de PVC).
  • Identificação: Coloque microchip e coleira com plaqueta contendo nome, telefone e endereço. Em áreas rurais, um “crachá” refletivo pode ajudar na localização noturna.
  • Rotina de escovação dental: Use escova de dedo e pasta específica. Comece aos poucos, permitindo que o cão se acostume ao sabor da pasta.
  • Controle de peso: Pese o cão mensalmente; se notar aumento de mais de 2 % do peso corporal em um mês, ajuste a ração e aumente a atividade física.
  • Visita ao fisioterapeuta veterinário: Em cães de alta performance, sessões de fisioterapia (massagem, hidroterapia) podem prevenir lesões musculares e articulares.
  • Comunicação com o veterinário: Anote quaisquer mudanças de comportamento, apetite ou eliminação e informe ao profissional. A detecção precoce faz toda a diferença.
  • Aproveite momentos de lazer: Reserve tempo para brincar, fazer trilhas ou participar de esportes caninos (agilidade, faro). O prazer compartilhado fortalece a relação e reduz o estresse de ambos.
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8. Curiosidades e Mitos

  • Curiosidade: O nome “Bluetick” vem da coloração da pelagem, que lembra “ticks” (manchas) em tom azul‑acinzentado.
  • Mito: “Blueticks são agressivos com crianças.” Na verdade, são cães afetuosos e protetores, mas como qualquer animal, precisam de supervisão e ensino de limites.
  • Curiosidade: Essa raça foi desenvolvida para rastrear guaxinins, mas também é excelente em competições de “tracking” e “field trial”.
  • Mito: “Por serem de caça, não precisam de treinamento obediente.” Pelo contrário, a disciplina é essencial para que o faro não se torne um risco em ambientes urbanos.
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9. Perguntas Frequentes

1. Qual a melhor ração para um Bluetick Coonhound adulto ativo?

R: Prefira rações premium com proteína de qualidade (mínimo 25 % de matéria seca), contendo ômega‑3 e suplementos articulares. Marcas brasileiras como “Premier” e “Royal Canin” oferecem linhas específicas para cães de alta energia.

2. Meu Bluetick tem tendência a fugir. Como evitar?

R: Reforce o comando “Volta” com recompensas diárias, use coleira de treinamento (não de choque) e mantenha o portão da casa sempre fechado. Exercícios de faro ajudam a canalizar o instinto de perseguição de forma segura.

3. Quanto devo exercitar meu filhote?

R: Até os 6 meses, sessões curtas de 10‑15 minutos, 3‑4 vezes ao dia, evitando saltos altos que possam lesionar as placas de crescimento. A partir dos 12 meses, aumente gradualmente para 60‑90 minutos de atividade moderada a intensa.

4. O Bluetick pode conviver com outros cães?

R: Sim, desde que haja socialização precoce. Eles costumam ser amigáveis, mas o instinto de caça pode provocar perseguição a pequenos animais (coelhos, gatos). Supervisão é necessária nas primeiras interações.

5. Qual a frequência ideal de escovação dental?

R: Idealmente, 2‑3 vezes por semana. Se o cão tolerar, escove diariamente. A higiene bucal reduz o risco de doença periodontal, que pode levar a complicações renais.

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10. Considerações Finais

Cuidar de um Bluetick Coonhound é um ato de amor que exige atenção, disciplina e conhecimento. A combinação de uma alimentação equilibrada, exercícios adequados, controle de parasitas, visitas regulares ao veterinário e um treinamento baseado em reforço positivo cria as condições ideais para que seu companheiro viva plenamente, explorando seu faro incomparável sem comprometer a saúde.

Lembre‑se de que