Saúde

Bartonellose em Cães: Endocardite, Epistaxe e Diagnóstico Difícil

A bartonellose canina é causada principalmente por Bartonella vinsonii subsp. berkhoffii — bactéria transmitida por carrapatos (Rhipicephalus, Ixodes) e possivelmente por pulgas. Doença emergente no Brasil. Pode causar endocardite bacteriana, miocardite, epistaxe recorrente, linfadenopatia e poliartrite. Diagnóstico difícil: PCR de sangue e tecido. Tratamento: doxiciclina + azitromicina por 4-6 semanas. Zoonose — humanos imunocomprometidos são vulneráveis.

30 de maio de 2026·1 min de leitura

O cão farejador de Minas chegou com sangramento nasal recorrente.

Sopro cardíaco. Trombocitopenia. Febre.

Não era uma doença. Era um carrapato em algum mato de meses atrás.

Bartonella vinsonii berkhoffii. PCR positivo após três coletas.

Doxiciclina + azitromicina. Seis semanas.

Emergente. Subdiagnosticada. Real.

Manifestações Clínicas por Sistema

| Sistema | Sinal | Frequência | |---|---|---| | Cardiovascular | Endocardite valvar, sopro novo, miocardite | Comum | | Hematológico | Epistaxe, trombocitopenia, anemia | Muito comum | | Neurológico | Convulsões, uveíte, neuropatia | Moderado | | Musculoesquelético | Poliartrite, polimiosite | Moderado | | Sistêmico | Febre, perda de peso, linfadenopatia | Comum |

Diagnóstico

| Exame | Amostra | Sensibilidade | |---|---|---| | PCR | Sangue (EDTA) — 3 coletas | Alta (bacteremia intermitente) | | Sorologia (RIFI) | Soro | Moderada (falso negativo recente) | | Hemocultura (BAPGM) | Sangue | Alta — pouco disponível | | Ecocardiograma | — | Endocardite — vegetações |

Protocolo de Tratamento

| Medicamento | Dose | Duração | |---|---|---| | Doxiciclina | 10 mg/kg/dia | 4-6 semanas | | Azitromicina | 5-10 mg/kg/dia | 4 semanas | | Rifampicina (adj.) | 5 mg/kg 2x/dia | Endocardite grave |

Perguntas frequentes

O que é a bartonellose canina e quais são as espécies envolvidas?+

A bartonellose é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Bartonella — bactérias gram-negativas intracelulares facultativas que infectam hemácias e células endoteliais. Espécies de Bartonella em cães: Bartonella vinsonii subsp. berkhoffii: a principal espécie patogênica para cães; causadora de endocardite, miocardite e doença multissistêmica; vetor: carrapatos do gênero Ixodes, Rhipicephalus e Dermacentor; Bartonella henselae: conhecida por causar 'doença da arranhadura do gato' em humanos; também detectada em cães — com doença clínica variável; vetor: pulga do gato (Ctenocephalides felis) — zoonose importante; Bartonella clarridgeiae: detectada em cães; papel clínico incerto no cão; Bartonella elizabethae e B. washoensis: detectadas em cães com endocardite; Situação no Brasil: a bartonellose canina é considerada doença emergente no Brasil; Bartonella species têm sido detectadas em carrapatos brasileiros (R. sanguineus, A. cajennense) e em cães do Brasil; estudos sorológicos: 10-30% de soroprevalência em cães de áreas rurais no Brasil; o diagnóstico clínico ainda é subnotificado — muitos casos passam como 'doença sistêmica de causa não identificada'; Transmissão: vetores principais: carrapatos (principalmente Ixodes scapularis nos EUA; R. sanguineus e Ixodes spp. no Brasil); possivelmente pulgas: C. felis pode transmitir B. henselae; piolhos: vetores em algumas espécies de Bartonella em outros hospedeiros; contato direto: arranhadura de gato infectado (B. henselae para humanos — não para cães via arranhadura normalmente).

Quais são os sinais clínicos da bartonellose em cães?+

A bartonellose canina tem apresentação muito variável — desde infecção assintomática até doença grave multissistêmica. Sinais clínicos por sistema: Cardiovascular: Endocardite bacteriana (valvar): o sinal mais grave — principalmente valva aórtica; regurgitação valvar progressiva; sopro cardíaco de novo em cão adulto; insuficiência cardíaca; Miocardite: inflamação do miocárdio → arritmias, taquicardia; Pericardite: efusão pericárdica; Hematológico e hemorrágico: Epistaxe (sangramento nasal): sangramento recorrente e idiopático — sinal muito sugestivo de bartonellose; Trombocitopenia: plaquetas baixas → petéquias, equimoses, hemorragias; Anemia: hemolítica ou por doença crônica; Epistaxe + trombocitopenia em cão: o conjunto é altamente sugestivo de bartonellose (diferencial: doença de von Willebrand, outras coagulopatias, trombocitopenia imunomediada); Neurológico: Convulsões: por vasculite cerebral ou endocardite com êmbolos cerebrais; Uveíte: inflamação ocular — pode causar cegueira; Neuropatia: fraqueza dos membros; Musculoesquelético: Poliartrite: articulações múltiplas inflamadas; Polimiosite: fraqueza e dor muscular; Outros: Linfadenopatia: linfonodos aumentados; Febre recorrente; Perda de peso; Granulomas perivascularres: na histopatologia; Hepatite granulomatosa; Rinite crônica;

Como diagnosticar e tratar a bartonellose canina?+

O diagnóstico da bartonellose é desafiante — o organismo é difícil de cultivar e as técnicas serológicas têm limitações. Diagnóstico: PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): O padrão-ouro para diagnóstico de bartonellose ativa; amostras: sangue periférico (coleta em EDTA), aspirado de linfonodo, biópsia de valva cardíaca; a bacteremia é intermitente — PCR pode ser falso negativo em uma única amostra; realizar 3 coletas em dias diferentes aumenta a sensibilidade; Sorologia (RIFI ou ELISA): detecção de anticorpos anti-Bartonella; limitação: cão soropositivo pode ter infecção antiga ou subclínica (não necessariamente doença ativa); cão soronegatívo pode ter infecção muito recente (antes da soroconversão); resultado positivo somado a sinais clínicos sugestivos: fortemente indicativo; Hemocultivo em meio especial (BAPGM — Bartonella alpha Proteobacteria Growth Medium): técnica especializada — muito sensível mas pouco disponível comercialmente no Brasil; Ecocardiograma: para endocardite — visualização de vegetações valvares; fundamental no cão com sopro novo + quadro sistêmico; Hemograma e bioquímica: trombocitopenia, anemia, hiperglobulinemia — achados inespecíficos mas sugestivos; Tratamento: Doxiciclina: 10 mg/kg/dia em 1-2 doses — duração mínima: 4-6 semanas (mais longa que outras doenças por carrapato); Azitromicina: combinada à doxiciclina para maior eficácia — 5-10 mg/kg/dia por 4 semanas; Rifampicina: alternativa ou adjuvante — útil em casos de endocardite; Enrofloxacino: alternativa para cão que não tolera doxiciclina; Para endocardite grave: tratamento longo (>6 semanas), possível cirurgia valvar em centros especializados; Suporte: trombocitopenia grave: transfusão de plasma ou plaquetas; arritmias: antiarrítmicos; Prognóstico: variável — doença sem endocardite: bom com tratamento adequado; endocardite com insuficiência valvar grave: reservado.

A bartonellose é zoonose? Como proteger a família e o cão?+

A bartonellose tem importantes implicações de saúde pública — especialmente para humanos imunocomprometidos. Zoonose e risco humano: Bartonella henselae: causa doença da arranhadura do gato (cat scratch disease) em humanos via arranhadura de gato infectado; em imunocompetentes: autolimitada (linfadenopatia regional); em imunocomprometidos (HIV, transplantados, quimioterapia): angiomatose bacilar e peliose hepática — grave; o cão não transmite diretamente para humanos via arranhadura como o gato — mas os carrapatos infectados em cão podem infectar humanos; Bartonella vinsonii subsp. berkhoffii: detectada em humanos com doença sistêmica — especialmente imunocomprometidos; transmissão humana: provavelmente via carrapatos infectados; o cão doente com bartonellose não é transmissor direto para humanos — o vetor (carrapato) é o elo; Controle de vetores: prevenção primária: controle de carrapatos e pulgas; uso regular de antiparasitários (isoxazoínas — fluralaner, afoxolaner, sarolaner; spot-on piretróides para carrapatos); inspeção do cão após passeios em mata/pasto; remoção cuidadosa de carrapatos (não pressionar o corpo — usar pinça); Casas com imunocomprometidos: controle rigoroso de carrapatos e pulgas nos animais domésticos é especialmente importante; comunicar ao médico que tem pet com bartonellose diagnosticada; Notificação: não é doença de notificação compulsória no Brasil (2026) — mas o diagnóstico deve ser reportado ao veterinário para acompanhamento; Em resumo: o cão com bartonellose não é vetor direto para humanos — mas representa indicador de exposição ao carrapato infectado na região, o que implica risco para os humanos da casa também.

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