Alaskan Malamute: problemas de saúde mais comuns
“Cuidar de um Alaskan Malamute vai muito além de abrir a porta do quintal. É entender suas necessidades, prevenir doenças e garantir que ele viva com energia e alegria ao seu lado.”
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1. Introdução
O Alaskan Malamute é um dos cães mais antigos e emblemáticos das regiões árticas. Criado originalmente pelos povos nativos do Alasca para puxar trenós pesados, ele combina força, resistência e um temperamento leal que conquista tutores ao redor do mundo. No Brasil, a popularidade da raça tem crescido nas últimas décadas, especialmente entre famílias que buscam um companheiro ativo e afetuoso.
Entretanto, como qualquer raça grande e de origem nórdica, o Malamute possui predisposições genéticas a certas enfermidades que, se não identificadas a tempo, podem comprometer sua qualidade de vida. Este artigo tem como objetivo apresentar, de forma clara e empática, os problemas de saúde mais comuns nessa raça, bem como estratégias de prevenção, cuidados diários, alimentação adequada e orientações de treinamento.
A proposta é oferecer ao tutor brasileiro um panorama completo, baseado em evidências veterinárias, para que ele possa agir de forma proativa, detectando sinais precoces, mantendo consultas regulares ao veterinário e proporcionando um ambiente que favoreça o bem‑estar físico e emocional do seu Malamute. Ao final da leitura, você terá um guia prático e acionável para garantir que seu companheiro de quatro patas viva feliz, saudável e ao seu lado por muitos anos.
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2. Características Principais
#### Aparência física
O Alaskan Malamute apresenta uma estrutura robusta, musculosa e compacta, com um peito profundo e membros fortes. Seu peso varia entre 34 kg e 45 kg, e a altura pode chegar a 61 cm nos machos e 56 cm nas fêmeas. A pelagem é dupla: uma camada externa longa, densa e resistente à água, e uma camada interna macia que funciona como isolante térmico. As cores mais frequentes são o preto e branco, cinza e marrom, sempre com máscara facial característica.
#### Temperamento
Esses cães são conhecidos por sua personalidade “independente, porém leal”. Eles adoram estar próximos da família, mas mantêm um certo grau de autonomia, herdado de seus ancestrais que precisavam tomar decisões rápidas nas trilhas geladas. São muito sociáveis com outros cães e, quando bem socializados, aceitam crianças, embora sua energia e força exigam supervisão em brincadeiras mais agitadas.
#### Nível de energia e necessidades de exercício
O Malamute tem um apetite por atividade física que pode surpreender quem nunca conviveu com um cão de trabalho. Ele precisa de, no mínimo, duas a três caminhadas diárias, totalizando 1,5 km a 2 km, além de sessões de brincadeira ou corrida em áreas seguras. Sem esse estímulo, ele pode desenvolver comportamentos destrutivos, como mastigação excessiva ou escavação.
#### Inteligência e capacidade de aprendizado
A inteligência do Malamute é alta, mas ele tem um espírito “teimoso”. O treinamento precisa ser consistente, baseado em reforço positivo e muita paciência. Ele responde bem a recompensas alimentares, elogios e atividades que desafiem sua mente, como jogos de busca, quebra‑cabeças caninos e treinamento de obediência avançado.
#### Expectativa de vida
A média de vida de um Alaskan Malamute varia entre 12 e 15 anos, dependendo de fatores como genética, qualidade da alimentação, nível de atividade física e cuidados preventivos. Manter um estilo de vida saudável e monitorar as doenças hereditárias mais frequentes pode prolongar significativamente essa expectativa.
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3. Cuidados Essenciais
#### Higiene e tosa
A pelagem dupla do Malamute requer escovação frequente, idealmente 2‑3 vezes por semana, para remover pelos mortos e evitar nós que podem causar irritação cutânea. Nos períodos de troca de pelagem (primavera e outono), a escovação deve ser diária até que o pelo caia completamente. O banho pode ser feito a cada 6‑8 semanas, usando xampus específicos para cães de pelagem densa, evitando produtos humanos que podem irritar a pele.
#### Saúde dentária
Problemas dentários são comuns em raças grandes e podem levar a doenças sistêmicas. A escovação dental deve ser realizada 3‑4 vezes por semana com escova e pasta própria para cães. Além disso, oferecer brinquedos mastigáveis e petiscos dentais ajuda a reduzir a placa bacteriana. Consulte o veterinário para limpeza profissional a cada 6‑12 meses.
#### Controle de parasitas
Pulgas, carrapatos e vermes intestinais são questões que afetam todos os cães, inclusive os Malamutes. A aplicação mensal de produtos antiparasitários (spot‑on ou coleiras) e a administração de vermífugos trimestrais (ou conforme orientação veterinária) são fundamentais. Em áreas com alta incidência de doença de Lyme ou Ehrlichiose, a prevenção deve ser ainda mais rigorosa.
#### Visitas regulares ao veterinário
Exames de rotina a cada 6‑12 meses permitem detectar alterações clínicas precocemente. O veterinário avaliará a condição articular (principalmente quadril e cotovelo), a visão, a audição, a tireoide e realizará exames de sangue de rotina (hemograma completo, bioquímica, T4). Vacinas essenciais incluem a tríplice (cinomose, parvovirose e hepatite infecciosa), a leptospirose, a raiva e a bordetella (para cães que frequentam locais públicos).
#### Ambiente seguro e adaptado
Devido ao seu tamanho e força, o Malamute precisa de um espaço amplo, livre de objetos que possam ser derrubados. Portões e cercas devem ser reforçados, pois ele tem tendência a pular ou empurrar barreiras. Dentro de casa, ofereça uma cama ortopédica que suporte seu peso e proporcione conforto ao descanso.
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4. Alimentação e Nutrição
#### Necessidades calóricas
Um Malamute adulto ativo pode necessitar de 2.200 a 2.800 kcal/dia, variando conforme o nível de exercício, idade e metabolismo individual. Filhotes em fase de crescimento têm demandas ainda maiores, chegando a 3.000 kcal/dia para garantir desenvolvimento ósseo e muscular adequado.
#### Macronutrientes equilibrados
- Proteína: Mínimo de 22 % da dieta para adultos, 30 % para filhotes. As proteínas de origem animal (frango, peixe, carne bovina) são preferíveis, pois fornecem aminoácidos essenciais.
- Gordura: 12‑18 % da dieta, importante para energia, pele saudável e absorção de vitaminas lipossolúveis. Ácidos graxos ômega‑3 (óleo de peixe) ajudam a reduzir inflamações articulares.
- Carboidratos: Não são indispensáveis, mas podem ser incluídos em forma de arroz integral, batata doce ou aveia, fornecendo fibra e energia de liberação lenta.
Obesidade aumenta o risco de displasia de quadril, artrite e problemas cardíacos. Use a “regra da mão”: a quantidade de ração deve ser medida de acordo com a recomendação do fabricante, ajustando conforme a condição corporal. Avalie a “condição corporal” (BCS) mensalmente: costelas devem ser visíveis ao toque, sem excesso de gordura.
#### Suplementação indicada
- Glucosamina + Condroitina: Beneficia a saúde articular, principalmente em raças predispostas à displasia.
- Óleo de peixe (EPA/DHA): Contribui para a saúde da pele, pelagem e função cognitiva.
- Vitamina E e Selênio: Antioxidantes que ajudam a prevenir doenças oculares como catarata.
A ração de alta qualidade, formulada para cães de porte grande e nível de atividade alto, costuma atender às necessidades nutricionais do Malamute. Se optar por alimentação caseira, é imprescindível a orientação de um nutricionista veterinário para evitar desequilíbrios (deficiência de cálcio, excesso de fósforo, falta de vitaminas).
#### Hidratação
Mantenha água fresca e limpa sempre disponível. Em dias quentes, ofereça água em múltiplos pontos da casa e, se possível, use bebedouros automáticos para incentivar a ingestão.
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5. Saúde e Prevenção
#### Displasia de quadril e cotovelo
O que é? Malformações nas articulações que geram dor, claudicação e, em casos avançados, artrite crônica.
Sinais de alerta: Relutância ao subir escadas, dificuldade ao se levantar, “caminhada em “ponto de apoio” (senta e levanta).
Prevenção: Escolha criadores que realizam exames de imagem (radiografia) nos pais. Mantenha peso adequado, evite exercícios de alto impacto em filhotes (pular de móveis) e ofereça suplementos de glucosamina.
#### Torsão gástrica (bloat)
O que é? Dilatação do estômago seguida de rotação, condição de emergência que pode ser fatal.
Fatores de risco: Alimentação em grande volume em curto período, exercícios vigorosos logo após a refeição, tigela elevada.
Prevenção prática: Divida a ração em duas ou três porções menores, aguarde 30‑60 min antes de iniciar a atividade física e evite usar comedouros elevados. Caso haja histórico familiar, converse com o veterinário sobre a possibilidade de gastropexia preventiva.
#### Hipotireoidismo
O que é? Diminuição da produção de hormônios tireoidianos, levando à fadiga, ganho de peso e queda de pelos.
Diagnóstico: Exames de sangue (T4 livre, TSH).
Tratamento: Hormônio sintético (levotiroxina) administrado diariamente. Acompanhe a dose com exames semestrais.
#### Problemas oculares (catarata, atrofia progressiva da retina – PRA)
Sinais: Opacificação da lente, visão embaçada, dificuldade em enxergar em ambientes de pouca luz.
Prevenção: Exames oftalmológicos anuais, especialmente em cães com histórico familiar. Em casos de catarata, cirurgia pode restaurar a visão; para PRA, não há cura, mas o diagnóstico precoce permite adaptar o ambiente (evitar escadas, usar tapetes antiderrapantes).
#### Dermatites e alergias cutâneas
Causas: Alergia a pulgas, alimentos ou agentes ambientais (pólen, ácaros).
Sintomas: Coceira intensa, vermelhidão, perda de pelos em áreas localizadas.
Manejo: Controle rigoroso de pulgas, dieta de eliminação (sob supervisão veterinária) e uso de shampoos medicinais. Em casos crônicos, antihistamínicos ou ciclosporina podem ser prescritos.
#### Osteocondrite (OCD)
O que é? Lesão na cartilagem articular, geralmente no cotovelo ou joelho, que causa dor e claudicação.
Prevenção: Evitar exercícios de salto e corrida intensa antes dos 12‑18 meses de idade.
#### Cardiomiopatia dilatada (CMD)
Incidência: Embora menos comum, pode ocorrer em Malamutes.
Sinais: Tosse, fadiga, dificuldade ao respirar.
Acompanhamento: Ecocardiograma anual em cães acima de 6 anos, principalmente se houver histórico familiar.
#### Plano de prevenção geral
- Check‑up semestral – avaliação física completa, exames de sangue e radiografias articulares.
- Vacinação em dia – siga o calendário recomendado pelo veterinário.
- Controle de parasitas – aplicação mensal de produtosados.
- Manutenção de peso – dieta balanceada e atividade física regular.
- Exames genéticos – se possível, teste de DNA para displasia, PRA e outras mutações.
6. Treinamento e Comportamento
#### Socialização precoce
Entre 8 e 16 semanas de idade, exponha o filhote a diferentes pessoas, cães, sons (automóveis, aspirador) e ambientes (parques, lojas). A socialização reduz a tendência a medo ou agressividade na idade adulta.
#### Obediência básica
Ensine comandos fundamentais: “sentar”, “ficar”, “vir”, “deitar” e “soltar”. Use reforço positivo (petiscos, elogios, brincadeira) e sessões curtas de 5‑10 min, várias vezes ao dia. A consistência é crucial, pois o Malamute pode ser teimoso se perceber que pode “burlar” o treinamento.
#### Exercício mental
Além da corrida, inclua atividades que estimulem o raciocínio: labirintos de petiscos, brinquedos interativos, “esconde‑esconde” com objetos ou pessoas. Isso ajuda a canalizar a energia mental e a prevenir comportamentos destrutivos.
#### Controle da ansiedade de separação
Deixe o cão acostumado a ficar sozinho gradualmente, começando com períodos curtos (5‑10 min) e aumentando progressivamente. Não faça alarde ao sair ou ao chegar em casa; mantenha a entrada e saída discretas para não reforçar a ansiedade.
#### Treinamento de tração (puxada de trenó ou carrinho)
Muitos tutores desejam explorar a herança de trabalho do Malamute. Se optar por puxar, use equipamentos adequados (arnês de tração, carrinho leve) e comece com curtas distâncias em terreno plano. O treinamento deve ser gradual, com foco em resistência física e reforço positivo. Nunca force o animal a puxar se ele demonstrar cansaço ou desconforto.
#### Problemas comportamentais frequentes
- Latidos excessivos: Muitas vezes ligados à energia acumulada. Reduza o tédio com caminhadas mais longas e brinquedos interativos.
- Escavação: Forneça um “buraco” designado (caixa de areia ou área com terra) para que ele possa cavar sem destruir o jardim.
- Dominância com outros cães: Se houver sinais de agressão, procure um adestrador especializado em raças de trabalho.
7. Dicas Práticas para Tutores
Área |
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Alimentação |
Evita superalimentação e facilita ajustes de acordo com peso. |
Exercício |
Gasta energia física e mental, reduz comportamentos indesejados. |
Higiene |
Mantém a pelagem saudável e previne nós. |
Saúde |
Detecta problemas antes que se tornem graves. |
Prevenção de bloat |
Reduz risco de torsão gástrica. |
Socialização |
Facilita convivência com outros cães e pessoas. |
Treinamento |
Acelera o aprendizado e cria comunicação clara. |
Cuidados articulares |
Fortalece cartilagem e previne displasia. |
Clima |
A pelagem densa eleva a temperatura corporal rapidamente. |
Segurança |
Evita fugas e acidentes, pois o Malamute tem tendência a testar limites. |
- Patas e garras: Verifique cortes, inchaços ou corpos estranhos.
- Olhos e orelhas: Procure secreções, vermelhidão ou odores.
- Pele: Observe áreas de vermelhidão, caspa ou alopecia.
- Postura: Observe se o cão caminha de forma equilibr