Afghan Hound – Problemas de Saúde Mais Comuns

“Um Afghan Hound é a elegância em quatro patas, mas, como toda obra‑de‑arte, requer cuidados especiais para permanecer saudável e feliz.”


1. Introdução

O Afghan Hound, também conhecido como Persa, destaca‑se pelos pelos longos, a postura aristocrática e o olhar melancólico. Originário das montanhas do Afeganistão, foi criado para caça em terrenos acidentados, o que lhe conferiu resistência, agilidade e um instinto de caça muito forte.

Apesar de sua beleza, a raça apresenta predisposições genéticas a determinadas doenças ortopédicas, oculares, dermatológicas e sistêmicas. O proprietário bem‑informado pode identificar sinais precoces, buscar diagnóstico precoce e aplicar medidas preventivas eficazes, reduzindo custos e sofrimento do animal.

Dica prática: mantenha um caderno de saúde do seu Afghan – anote datas de vacinas, resultados de exames, alterações de comportamento e peso. Essa documentação facilita a comunicação com o veterinário e permite detectar tendências ao longo do tempo.


2. Problemas ortopédicos

2.1 Displasia de quadril

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O que é
Defeito de desenvolvimento da articulação do quadril, comum em raças de porte médio a grande. A cartilagem articular pode ficar irregular, levando ao desgaste precoce. |

Fatores de risco
Genética (filhotes de pais portadores), excesso de peso, crescimento rápido em filhotes (alimentação excessiva de ração “premium” sem controle). |

Sintomas
Claudicação, relutância em subir escadas ou pular, “caminhada em “cavalo de pau” (padrão de marcha com os membros traseiros afastados). |

Diagnóstico
Radiografia ortopédica em duas vistas (ventral‑dorsal e lateral) com avaliação por veterinário ortopedista ou por meio de escala OFA (Orthopedic Foundation for Animals) ou PennHIP. |

Tratamento
• Controle de peso (ideal: 18‑22 kg, dependendo do sexo).
• Suplementação com glucosamina + condroitina + MSM (2‑4 mg/kg/dia).
• Fisioterapia (hidroterapia, exercícios de fortalecimento).
• Em casos avançados, cirurgia de osteotomia ou artroplastia total de quadril. |

Prevenção
Alimentação controlada, evitar sobrecarga nas primeiras 12‑18 meses de vida, avaliação ortopédica precoce (6‑8 meses). |

Evidência: Estudos da American College of Veterinary Surgeons (2022) mostram que a combinação de glucosamina + condroitina reduz em até 30 % a progressão da displasia em cães de raças predispostas.

2 2. Luxação da patela

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O que é
Deslocamento da rótula, frequentemente bilateral, devido a uma conformação anômala da caixa torácica ou ao desenvolvimento incompleto da articulação. |

Tipos
Tipo I – patela desloca‑se medialmente e retorna espontaneamente (menos doloroso).
Tipo II – deslocamento permanente, pode causar artrite. |

Sintomas
“Saltos” ao caminhar, dor ao dobrar o joelho, relutância em subir escadas ou pular. |

Diagnóstico
Exame físico (manobra de “tensão de patela”), radiografia ou tomografia para avaliar a profundidade da trochlea. |

Tratamento
• Manutenção de peso adequado.
• Fisioterapia para fortalecimento dos músculos quadríceps.
• Cirurgia corretiva (realinhamento ou retropulsão) quando a luxação causa dor ou artrite. |

Prevenção
Evitar exercícios de alto impacto (pular de móveis) em filhotes, controlar a ingestão calórica para não gerar sobrepeso. |

Dica prática (Brasil): Em cidades com clima quente, prefira caminhadas matinais ou ao entardecer, quando o asfalto está mais frio, reduzindo o risco de lesões nas articulações.


3. Doenças de pele e pelagem

3.1 Dermatite alérgica

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Causas
Alergia alimentar (proteínas como frango, carne bovina, soja).
Alergia ambiental (ácaros, pólen, fungos).
Dermatite de contato (sabões, detergentes, plantas). |

Sinais
Coceira intensa (geralmente nas patas, abdômen e orelhas), vermelhidão, pústulas, perda de pelos em áreas localizadas. |

Diagnóstico
Eliminações dietéticas (dieta hipoalergênica por 8‑12 semanas).
Teste de intradermorreação ou RIA (imunoensaio) para alergias ambientais. |

Manejo
• Identificação e remoção do alérgeno.
• Dieta hipoalergênica (ex.: ração à base de peixe ou carne de coelho).
• Shampoos medicinais com cocamidopropil betaina e ácido salicílico.
• Em casos graves, corticoides de baixa dose ou omalizumabe (imunoterapia monoclonal). |

Prevenção
Manter a casa livre de ácaros (usar capas anti‑ácaros em colchões e sofás), lavar a cama do cão semanalmente em água quente, evitar produtos de limpeza com fragrâncias fortes. |

Evidência: Pesquisa publicada no Journal of Veterinary Dermatology (2021) demonstra que a dieta de proteína única reduz a coceira em 70 % dos cães com dermatite atópica.

3.2 Infecções fúngicas (dermatofitoses)

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Fatores de risco
Pelagem densa que retém umidade, ambientes úmidos (banheiros, áreas com piscina), falta de secagem adequada após banho. |

Agentes mais comuns
Microsporum canis, Trichophyton mentagrophytes. |

Como identificar
Manchas circulares com bordas elevadas, descamação, perda de pelos, odor “de terra”. O teste de Wood’s lamp pode fluorescer em alguns casos. |

Diagnóstico
Cultura de escoriações, exame microscópico com KOH 10 %. |

Tratamento
• Antifúngicos tópicos (cremes à base de miconazol ou clotrimazol).
• Antifúngicos sistêmicos (itraconazol 5 mg/kg/dia ou terbinafina 10 mg/kg/dia) por 4‑6 semanas.
• Higiene rigorosa: desinfetar ambientes, lavar roupas de cama em água quente (≥ 60 °C). |

Prevenção
Secar bem o pelo após banho, evitar deixar o cão em ambientes úmidos por longos períodos, inspeção regular da pelagem. |

Dica prática (Brasil): Em regiões com alta umidade (ex.: litoral norte), use um secador de baixa temperatura (não acima de 40 °C) para garantir que a pelagem esteja completamente seca antes de deixá‑lo em ambientes fechados.


4. Problemas oculares

4.1 Catarata precoce

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Incidência
A raça tem tendência genética a desenvolver catarata em idade jovem (a partir dos 2 anos). |

Causas
Mutação no gene HSF4 (hereditária), diabetes mellitus, trauma ocular. |

Sintomas
Opacidade da lente, visão embaçada, sensibilidade à luz (fotofobia), “andar em círculos”. |

Diagnóstico
Exame oftalmológico completo (slit‑lamp, tonometria). Avaliação de reflexo pupilar para identificar áreas de opacidade. |

Intervenção
• Exames oftalmológicos semestrais a partir dos 1 ano.
Cirurgia de facoemulsificação com implante de lente intraocular (IOL) – taxa de sucesso > 90 % quando realizada antes de complicações secundárias. |

Prevenção
Controle rigoroso da glicemia (em cães diabéticos), evitar trauma ocular, teste genético para portadores da mutação (disponível em laboratórios especializados). |

Evidência: Dados da American College of Veterinary Ophthalmologists (2023) mostram que a cirurgia precoce (até 3 anos) reduz a incidência de glaucoma secundário em 85 %.

4.2 Úlceras de córnea

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Causas
Trauma (galho, briga), infecções bacterianas (Staphylococcus spp.) ou virais (herpes canino), secura ocular (síndrome do olho seco). |

Sinais
Lacrimejamento excessivo, vermelhidão, dor ao abrir o olho, presença de “cobertura” branca ou amarelada na córnea. |

Diagnóstico
Fluorescência com colírio de sulfato de fluoresceína – a área lesionada fica corada em verde. |

Cuidados
• Colírios antibióticos (ofloxacino 0,3 % 4×/dia).
• Anti‑inflamatórios (ciclosporina 0,1 % ou dexametasona 0,1 % – uso restrito).
• Colírio lacrimogênio (citosol) para hidratação.
• Em casos graves, sutura da úlcera ou terapia de plasma rico em plaquetas (PRP). |

Prevenção
Manter as áreas de brincadeira livres de objetos pontiagudos, usar óculos de proteção em atividades ao ar livre (ex.: corrida em campo aberto). |

Dica prática: Caso note um “corte” ou “arranhão” na córnea, não aplique pomada sem orientação veterinária – o uso indiscriminado pode piorar a infecção.


5. Saúde geral e prevenção

Área
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Check‑ups regulares
Detecta alterações subclínicas (ex.: elevação de enzimas hepáticas).
Vacinação e vermifugação
Previne doenças infecciosas que podem comprometer o sistema imune.
Alimentação balanceada
Ômega‑3 reduz inflamação cutânea e articular; antioxidantes protegem a retina.
Exercício adequado
Mantém massa muscular, controla peso e protege as articulações.
Higiene
Evita nós, dermatites secundárias e infestação por parasitas externos.
Saúde dental
Reduz placa bacteriana, prevenindo periodontite que pode afetar órgãos internos.
Controle de parasitas externos
Evita dermatites alérgicas por pulgas e transmissão de Bartonella ou Dirofilaria.
> Dica prática (Brasil): Em regiões com alta incidência de leishmaniose visceral (ex.: Norte e Nordeste), aplique collar impregnado de deltametrina e realize exames de sorologia anualmente.


6. Quando procurar o veterinário

Sinal de alerta
Por que buscar ajuda imediatamente |

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Claudicação persistente (mais de 48 h)
Pode indicar luxação de patela, displasia ou lesão ligamentar. |

Olho opaco ou lacrimejamento excessivo
Suspeita de catarata, úlcera ou infecção ocular. |

Coceira intensa ou perda de pelos
Dermatite alérgica ou infecção fúngica que requer tratamento específico. |

Vômito ou diarreia > 24 h
Pode ser sinal de intolerância alimentar, infecção ou doença sistêmica. |

Falta de apetite > 2 dias
Indicativo de dor, doença metabólica ou infecção. |

Respiração ofegante sem motivo aparente
Sinais de dor, insuficiência cardíaca ou colapso pulmonar. |

Inchaço nas articulações
Pode ser artrite, luxação ou infecção articular. |

Ação rápida: Se houver suspeita de úlcera de córnea, catarata súbita, infecção grave ou lesão ortopédica, leve o animal a um pronto‑socorro veterinário 24 h ou a uma clínica de emergência.


7. Curiosidades sobre o Afghan Hound

Curiosidade
Explicação |

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Velocidade
Em corridas de curta distância, pode alcançar até 70 km/h, graças ao seu corpo aerodinâmico e musculatura fina. |

Instinto de caça
Mesmo domesticado, mantém forte impulso de perseguir pequenos animais (coelhos, roedores). |

Pelagem “impermeável”
O subpelo denso protege contra frio extremo nas montanhas afegãs; porém, retém umidade, exigindo cuidados de secagem. |

Personalidade “independente”
Historicamente usado como cão de guarda de tribos; costuma ser mais reservado que outras raças de companhia. |

Participação em filmes
O Afghan Hound “Afghan” estrelou o clássico “The Lost World” (1925) e inspirou o personagem “Afghan” no desenho “Mister Rogers' Neighborhood”. |

Dica prática: Aproveite o instinto de caça para oferecer brinquedos de puzzle (ex.: “Kong” recheado) que estimulem mentalmente e reduzam comportamentos indesejados, como escavação.


8. Mitos e Verdades

Mito
Verdade |

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“Afghans não sentem dor”
Falso. Apesar de parecerem indiferentes, sentem dor como qualquer cão; a dor pode se manifestar como irritabilidade ou recusa de atividade. |

“Cuidar da pelagem é só estética”
Falso. A escovação diária previne nós que podem causar dermatite e infecções cutâneas. |

“São cães de baixa energia, não precisam de exercício”
Falso. Necessitam de atividade regular, porém de baixo impacto (natação, caminhadas curtas). |

“A pelagem longa impede a perda de calor”
Verdade parcial. O subpelo isolante protege contra frio, mas em clima quente pode levar ao superaquecimento – atenção ao sinal de “heatstroke” (ofegante, língua azulada). |

“Catarata só aparece em cães idosos”
Falso. Em Afghan Hounds pode surgir antes dos 3 anos devido à predisposição genética. |

“Se o cão tem luxação da patela, não há cura”
Falso. Muitos casos são corrigidos cirurgicamente com sucesso, sobretudo quando tratados precocemente. |


9. Perguntas Frequentes (FAQ)

9.1 Qual a expectativa de vida do Afghan Hound?

A expectativa de vida varia entre 12 e 14 anos, com boa qualidade de vida quando os cuidados ortop